Tax the Rich
Eu sei que devia morder a língua mais vezes, mas há temas que me fazem subir nos metafóricos tamancos. E nada me irrita mais que ouvir a malta a reclamar de quem "vive de subsídios".
Em primeiro lugar, porque dificilmente alguém consegue fazer vida de lorde com um RSI e dois filhos para criar, mas, principalmente, porque não é para esse grupo que devemos dirigir a nossa raiva e indignação, mas sim para o chamado 1%.
Os indivíduos que têm dinheiro para "alugar" Veneza por uns dias, mas que não pagam um ordenado justo aos seus funcionários (que preferem urinar para garrafas de plástico a arriscar ultrapassar o tempo que têm alocado para usar a casa de banho durante o expediente).
Os excêntricos responsáveis por cortar milhões em ajuda humanitária em todo o mundo e projetos de investigação essenciais para a sociedade, mas que até vendem uns carros elétricos muito jeitosos.
Fulanos que, muitas vezes, sem nunca terem trabalhado um dia na vida, ficam isentos de pagar impostos (por causa de regras que "incentivaram" a implementar), enquanto atiçam o algoritmo a virar os cidadãos uns contra os outros, à conta de supostas chulices de meia dúzia de trocos.
Se há quem saiba contornar as regras para usufruir de subsídios que não merece? Sim, claro que há. E não são só estrangeiros, ou jovens nem-nem.
Mas o estado social deve ser para todos. E eu quero a garantia de que, se perder o meu trabalho, ou me magoar, tenho direito a apoios estatais que permitam a minha sobrevivência, sem exceções ou letras miudinhas.
Acabar com a "mama" soa sempre bem quando não nos afeta pessoalmente; quando falamos de números ao invés de pessoas. Mas um dia essa pessoa posso ser eu.
Portanto, não, não me incomoda que hajam uns quantos à sombra de pouco mais do ordenado mínimo, enquanto dois ou três gazilionários brincam ao Monopólio com o dinheiro do mundo e ainda se riem do povo que lhes enche os bolsos de boa mente.
E, no entretanto, vou sonhado com a utopia de um rendimento básico universal...
