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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

06 de Maio, 2024

Sobre Consentimento

Inês R.

Para começo de conversa, não, não é preciso assinar um contrato, conforme cartão de cidadão, na presença de um notário e ainda antes de sair da discoteca.

Só é pedido que se fale com (e escute) o potencial parceiro sexual (que, sim, deve estar consciente) e se pergunte um "está tudo bem?," um "queres?," um "posso?" ou, no limite, se atire um destes  na esperança de receber outro de volta.

A ideia de que uma pessoa que demonstre interesse noutra, ao início da noite, está, de alguma forma, a garantir que algo de sexual vai acontecer - independentemente do que se passar no entretanto - não pode ser a norma.

Se a pessoa beber demasiado, se ficar mal disposta, se deixar de estar interessada; são tudo razões mais que justificadas para nada acontecer. E, sim, mesmo que acabem por se envolver, a qualquer momento do ato, qualquer dos envolvidos pode pedir para parar. A pessoa consente até deixar de estar confortável e isso é, perfeitamente, válido. 

É, exatamente, por esta razão que se considera que o abuso sexual no casamento ou no namoro pode existir. Casar com alguém não lhe dá o direito de forçar relações sexuais ao seu cônjuge; que não tem de estar sempre disponível, nem para qualquer coisa.

Já para não falar do fato de uma pessoa embriagada, sem as suas plenas faculdades, ser, frequentemente, acusada de "se ter posto a jeito," quando deveria ser o abusador a sofrer o julgamento popular. Parece que o bom caráter é uma qualidade que se tende a dissipar por entre as luzes estroboscópicas.

Por tudo isto, não há razão para alarmismos. Ninguém é acusado de conduta inapropriada só por existir. E a possibilidade de acusações falsas (que as há) não pode, de maneira nenhuma, desacreditar todas as vítimas (que são muitas, mas muitas mais).

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