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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

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Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

17 de Junho, 2021

O Véu Pintado – Uma Análise Extremamente Engraçada e de Apenas Alguma Utilidade

Inês Reis

O Véu Pintado é a outra história de amor em tempos de cólera. E tem o Edward Norton como protagonista. Quem é que ainda não está convencido?

Pronto, eu conto mais um bocadinho.

O nosso Eduardinho é um médico sem grande consequência que se casa com uma Naomi Watts mimada que só quer fazer pirraça com os papás.

Depois de casados, o migo leva a esposa para a China e, surpresa, surpresa, a moça apanha a maior seca da década de 1920, sozinha no modesto lar do casal. Mas tudo muda quando a sô dona Naomi arranja um amante, também ele casado, para a ajudar a passar o tempo.

Com o que ela não contava era que o esposo descobrisse o arranjinho e se tornasse num vilão de romances de cordel. Diz ele: “É na boa. Eu dou-te o divórcio se o outro deslargar a mulher e se casar contigo. Se não, vens comigo pó meio dum surto de cólera, qué por mor da tosse.”

Pois que, semanas depois, lá eles chegam a uma aldeia do interior da China onde só há um vizinho e uma catrefada de gente falecida por cólera, para poderem viver infelizes para sempre.

Mas a raiva e o ressentimento são engraçadas, pois trazem também, e pela primeira vez, a honestidade para o relacionamento.

E enquanto o casal se vai conhecendo, o sô-tor lá vai direccionando as suas frustrações para a criação de um sistema de canalizações rudimentar, à base de canas e outras cenas, e assim evitar que a população consuma água contaminada e continue, digamos que, a falecer de cólera.

Quem estiver à procura de um final feliz pode parar o filme na cena do rio e ir à sua vidinha. Quem quiser ver o resto, tem de se lembrar que a cólera é uma doença tramada, da qual eu tenho estado a falar, literalmente, desde o primeiro parágrafo, e que a história se passa no início do século passado.

Na verdade, ainda se morre, e muito, de cólera, e tudo porque ainda há muitos milhões de pessoas sem acesso a água potável em todo o mundo (ver este post AQUI para saber como ajudar), mas eu não estou, de todo, a usar uma análise cinematográfica profissionalíssima para alertar para esta crise mundial. Juro.

Adiante, vejam o filme. É porreirinho.

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