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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

03 de Abril, 2023

O Que Nasceu Primeiro?

Inês R.

O álcool ou o alcoólico?

Eu sei que a resposta parece óbvia; o segundo não existe sem o primeiro, mas a verdade é que o álcool sozinho não faz o alcoólico.

A adicção envolve uma tempestade perfeita de circunstâncias especiais onde o social, o fisiológico e o emocional se combinam de forma a definir que certos indivíduos nunca consigam "beber só um copo".

Mas a solução não é com certeza pregar a abstinência e sabemos muito bem que a proibição não resulta.

As substâncias psicoativas não são fundamentalmente más (ainda que potencialmente muito perigosas) e vão sempre ter procura, seja como adjuvante criativo (e temos clássicos de rock suficientes para o comprovar) ou pelos seus efeitos positivos no tratamento de doenças ou distúrbios físicos ou mentais (o que é um facto, não uma suposição). Mas a diferença entre uma utilização recreativa ou terapêutica e uma que se defina como abusiva pode estar no contexto em que acontecem.

Nos anos 70 foi realizada uma experiência com ratos de laboratório onde os bichos foram colocados numa gaiola com acesso a uma tina com água onde foi diluída heroína ou cocaína e outra apenas com água. 

O resultado? Assim que os ratos deram com a droga, voltaram à tina uma e outra vez até que o consumo compulsivo os levou à morte.

Mas o ambiente aqui testado não recriava a realidade de todos os consumidores de heroína ou cocaína, e foi, então, que a experiência foi repetida numa gaiola onde os ratos, para além das mesmas duas tinas com água, tinham a possibilidade de brincar, exercitar-se e ter sexo.

Pois que os resultados foram muito diferentes dos primeiros; desta feita, os animais preferiram a água simples, apenas "molhando o bico" nas drogas, e nunca foi registada uma overdose.

Fazer parte de uma comunidade, sentir-se realizado pessoal e profissionalmente, são tudo questões fundamentais para evitar que "uma trip de heroína" aos fins-de-semana se transforme numa viagem sem volta.

Mas, mais que tudo, é preciso que se fale no assunto de forma clara e objetiva porque a adicção é um problema sério que não se resolve com populismos batidos nem acontece só aos outros.

Fontes:

What Does "Rat Park" Teach Us About Addiction? - artigo AQUI

Rats Prefer Social Interaction to Heroin or Methamphetamine - artigo AQUI

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