Humanidade Condicional
Li, algures pela internet, que assim que decidimos que uma qualquer categoria de pessoas pode ser tratada como menos do que humana estamos a dizer que a humanidade é condicional; que é preciso fazer check num determinado número de caixas para levar o certificado para casa.
Relacionei-me, imediatamente, com o conceito, até que imaginei aquela categoria de malta que serve de exemplo para todos os argumentos preconceituosos que conheço: os criminosos.
Será que o mais vil dos assassinos também merece ser tratado com empatia?
Sim, claro.
O seu castigo é a sua remoção da sociedade; são os anos, as décadas, de isolamento e de distância de tudo e de todos. Nada disto implica um tratamento desumano. Um prisioneiro deve ser alimentado, ter acesso a cuidados de higiéne e de saúde (incluindo mental), porque, acima de tudo, se trata de uma pessoa, e porque a intenção (ainda que teorética) da sua prisão será sempre a reabilitação.
Então, se até um bandido é um ser humano, porque custa tanto aceitar que uma diferença de religião, de orientação sexual, ou de cor de pele não retira a humanidade a ninguém?
