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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

10 de Novembro, 2025

Homem destrói feminismo em onze palavras

Inês R.

"Então, porque é que não há mulheres a trabalhar em minas?"

Terá sido esta a questão que colocou um ponto final na discussão de décadas sobre a igualdade entre os sexos - de acordo com o homem que a proferiu, um técnico oficial de contas que nunca viu uma máquina de chest press ao vivo.

"Afinal, a igualdade é só para o que vos convém," terá rematado o mesmo senhor, antes de virar costas e deixar a mulher que abordou na esplanada do bar às vinte para a meia-noite sem possibilidade de resposta.

Se não o tivesse feito, talvez tivesse aprendido que sempre houve mulheres a trabalhar em minas (tanto na superfície quanto no seu interior), mas que durante anos o acesso à profissão lhes foi negado (assim como a qualquer outra posição que fosse "incompatível" com as suas sensibilidades de esposas e mães), e que, atualmente, as que não são proibidas são sujeitas a humilhações e avanços sexuais que tornam a profissão insustentável.

Mas também que, sim, muitas mulheres não têm a capacidade física ou mesmo a vontade de trabalhar nesses locais - onde as condições de trabalho são, admitidamente, extremamente difíceis.

Da mesma forma que muitos homens não trabalham em minas (ou em quaisquer outros empregos de elevado esforço físico) porque não querem ou não precisam de o fazer. E está tudo bem.

Há homens a fazer limpezas e mulheres em posições de chefia, e uma quantidade de outras situações "não convencionais" que resultam porque as pessoas por detrás do género têm as competências e as vocações certas para tal. 

E para todos aqueles e aquelas que não se podem dar ao luxo de escolher a sua profissão de sonho, os que precisam de trabalhar três part-times para colocar comida na mesa ou nasceram com um bilhete para a mina local na mão, seria importante garantir que, na impossibilidade de satisfação profissional, houvesse, pelo menos, respeito, segurança e um ordenado digno e equiparado ao dos seus pares à sua espera.

No entretanto, se alguma mulher encontrar o amigo TOC a praticar o mansplaining numa qualquer esplanada do país, digam-lhe que eu gostava de lhe dar uma palavrinha. Obrigada, sim?

Fontes:

Gender Dynamics in Mining: Why women don’t go into mines - Open Institute (Ligação)

Breaking barriers for women in mining - World Bank (Ligação)

Women in Mining – Then & Now - MRS Training & Rescue (Ligação)

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