A minha mãe é que tinha razão
"Não aceites as cookies de nenhum sítio da Internet" é o novo "não aceites doces de estranhos".
O mundo online atual apresenta, quase, mais perigos que uma rua sem candeeiros, depois das onze da noite, para uma mulher desacompanhada.
Entre mensagens de filhos que acabaram de partir o telemóvel e dívidas ao fisco que têm, impreterivelmente, de ser pagas por MB Way até ao final do dia, já ninguém consegue alugar uma casa de praia (ou comprar um pijama) sem contratar os serviços de um advogado ou, pelo menos, mandar um email à DECO PROteste.
A nossa informação pessoal é guardada, usada e partilhada sem o nosso conhecimento (quem é que não passou já horas da sua vida a bloquear números "suspeitos" no telemóvel) e as nossas fotografias e mensagens andam a servir de manual escolar a tudo quanto é programa de inteligência artificial, mas é impossível não ter qualquer presença online.
Se não tens redes sociais, fazes pagamentos na aplicação do banco; se não fazes compras online, fazes o IRS automático no site das Finanças; e se ouves a tua música toda em vinil, tens, pelo menos, um endereço de email, associado a um assistente de IA, com um nome bué fixe, e que faz não se sabe bem o quê com as tuas conversas.
Ao contrário do que todos os parágrafos anteriores podem fazer parecer, eu não sou anti-tecnologia. Veja-se o corrente texto, escrito e publicado na Internet. Mas também não acho que valha tudo em nome do progresso da civilização.
Portanto, na dúvida, vou continuar a seguir o outro conselho da minha mãe: Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.
