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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

29 de Dezembro, 2025

Best of Em Letras Pequeninas - Edição 2025

Inês R.

Um apanhado dos melhores textos do ano (segundo a própria).

Porque quem tem vergonha passa mal, aqui segue uma auto-promoçãozita descarada em jeito de vale a pena ler de novo.

É Uma Casa Portuguesa, Com Certeza - Não venham ao engano, que isto não é sobre Fado. 

Teorias da Conspiração - Um Best Of - Quando a inspiração surge daqueles cantos estranhos da Internet.

Pancadinhas de Amor - E isto não é sobre sexo.

Petição "Pelo Direito de Acesso ao Cinema em Portugal" - O título é, suficientemente, claro, não?

Porque inventa uma mulher um namorado? - Não perguntei a todas, mas acho que a maioria concordará.

A Poesia Enquanto Life Skill - Em tempo de ChatGPT, quem lê um livro é rei.

Escorpião, com ascendente em lógica - E pouca paciência para bruxos.

Não passarão! - Ou talvez passem, mas, se depender de mim, não serão todos.

Achas que és boa pessoa? - Eu só estou a fazer a pergunta. Não matem a mensageira.

Uma questão de respeito - Do que é pedido e do que é oferecido.

Correlação não implica causalidade - Sobre comprimidos para a febre Americanos.

Se o sapato de vela servir... - Dicas de moda para a estação eleitoral.

Homem destrói feminismo em onze palavras - Ou, então, não. Fica ao vosso critério.

Obrigada a quem acompanhou o blogue durante este 2025!

22 de Dezembro, 2025

Um Conto de Natal Português

Inês R.

E se Portugal recebesse a visita do fantasma do Natal futuro? 

Começar ali pelo SNS e mostrar um país onde, finalmente, o acesso gratuito aos cuidados de saúde deixou de ser abusado; por estrangeiros, estróinas, viciados, desempregados, velhos, enfim, indivíduos que não contribuem para a sociedade de bem, composta por malta com empregos fixos, que consegue pagar um bom seguro de saúde e respetivos custos extra, em caso de patologias não cobertas pela apólice. Uma seleção menos natural, se quiserem.

Depois passar por um típico lar português, onde o marido trabalha para sustentar a casa e a esposa cuida do lar e da família com amor e dedicação. Até porque ele perde a cabeça facilmente e os miúdos não precisam de a ver com um olho negro. Outra vez. Mas a vida está cara e o Benfica não foi campeão, e ele nunca aprendeu a lidar com os seus próprios sentimentos e ela dá-lhe um desconto, porque as coisas são mesmo assim. Cada um tem a sua cruz para carregar.

E, se houver tempo, visitar uma escola - ali pelas nove e meia, para não interromper a oração da manhã - e conhecer o novo currículo através dos livros, perdão, folhetos escolares selecionados para os alunos que queiram ser mecânicos, eletricistas ou canalizadores. Das restantes tarefas, as que não são realizadas por IA são obra do diabo e ninguém precisa de saber física avançada para assar um frango ou de psicologia para criar um filho. Se abrires a mente demasiado, o cérebro pode-te cair.

Será que os nossos Scrooges apanhariam um cagaço de endireitar qualquer saudosista do Estado Novo? Ou será que olhariam para o cenário acima como quem vislumbra o paraíso na terra?

15 de Dezembro, 2025

Achas que sabes Natalar?

Inês R.

Com as festas à porta, é importante perceber se tens tudo sob controlo ou se já deste entrada naquela espiral de auto-destruição que só termina no dia 26. Segue uma pequena ajuda.

1 - O jantar da consoada vai acontecer em tua casa. Tu...

a) Já tens a ementa programada e as sobremesas pedidas aos participantes, que concordaram em fazer a distribuição de prendas em versão Pai Natal Secreto;

b) Vais encomendar a refeição toda ao teu restaurante preferido - desta feita, para 19 ou 20 pessoas (porque a prima Rute pode voltar a acabar com o namorado) - e passar a noite toda a jurar a pés juntos que andaste a labutar no cabrito desde o dia 22;

c) Andas no Whatsapp da família a perguntar se a malta não se importa de comer no chão da sala ou se todos gostam de sushi, na esperança que alguém sugira fazer antes o jantar na sua casa.

 

2 - Com tantos almoços, jantares e cafézinhos de Natal já não vês a tua família há três dias. Como é que dás uma nega àquele grupo com quem não falas desde o primeiro de janeiro sem sair mal visto?

a) Ah, bolas. Já tens um almoço/jantar/cafézinho marcado, extamente, para esse dia. Olha, fica para o ano;

b) Ignoras todas as notificações, sondagens e mensagens diretas que receberes. Depois, respondes no dia seguinte ao evento com um "oh, pá, desculpem lá, só vi agora";

c) Inventas um falecimento na família, com o cuidado de não repetir o avô que usaste para a última jantarada.

 

3 - Sendo impossível evitar os comentários racistas do tio que esteve no Ultramar e da tia que pergunta a todos os menores de 30 por namorados/das, o que podes fazer para salvar o ambiente da festa?

a) Manter toda a malta distraída com jogos de tabuleiro (que não involvam perguntas de cultura geral) ou filmes, evitando sempre o segundo Sozinho em Casa onde entra um certo presidente dos EUA;

b) Garantir que as tuas prendas são o mais originais e personalizadas possível porque és competitivo - e ninguém te deixar esquecer aquela UMA VEZ que ofereceste uma prenda que te tinha sido oferecida no ano anterior...;

c) Interromper todas as conversas que toquem nos temas política, religião ou partilhas com videos de pontos negros a serem espremidos ou todas as fotografias dos teus filhos (ou animais de estimação) que tens no telemóvel.

 

4 - Como os outros do anúncio, não ligas nada ao Natal. Mas não te sendo (literalmente) possível evitar a época, de que forma lidas com o stress Natalício?

a) Faço a minha parte, até porque não abdico de estar com a família nesta altura do ano - principalmente, com aqueles que chegam do estrangeiro -, e não me cai nenhum bocadinho por desejar Boas Festas a todos durante estas semanitas de festa;

b) Tá-se bem. Já recusei participar tantas vezes que a malta deixou de me convidar prás cenas;

c) Muito mal. Se mais alguém me perguntar se foi algum trauma de infância com o Pai Natal do centro comercial eu juro que apareço nas notícias de última hora da CMTV.

 

Respostas:

Maioria de a)'s - Pareces ter a vida em geral, e o Natal em particular, na palma da mão. Olha lá, posso ir antes ao teu jantar de Consoada?

Maioria de b)'s - Não sei se tu é que a levas bem gozada ou se és aquela pessoa que todos criticam num grupo de Whatsapp privado chamado "O que é ele/ela fez agora...".

Maioria de c)'s - Tens noção que só és convidado/a por cortesia, certo? Ou porque, literalmente, fazes parte da família? Talvez devesses aproveitar a época para fazer alguma auto-reflexão...

08 de Dezembro, 2025

Tax the Rich

Inês R.

Eu sei que devia morder a língua mais vezes, mas há temas que me fazem subir nos metafóricos tamancos. E nada me irrita mais que ouvir a malta a reclamar de quem "vive de subsídios".

Em primeiro lugar, porque dificilmente alguém consegue fazer vida de lorde com um RSI e dois filhos para criar, mas, principalmente, porque não é para esse grupo que devemos dirigir a nossa raiva e indignação, mas sim para o chamado 1%.

Os indivíduos que têm dinheiro para "alugar" Veneza por uns dias, mas que não pagam um ordenado justo aos seus funcionários (que preferem urinar para garrafas de plástico a arriscar ultrapassar o tempo que têm alocado para usar a casa de banho durante o expediente).

Os excêntricos responsáveis por cortar milhões em ajuda humanitária em todo o mundo e projetos de investigação essenciais para a sociedade, mas que até vendem uns carros elétricos muito jeitosos.

Fulanos que, muitas vezes, sem nunca terem trabalhado um dia na vida, ficam isentos de pagar impostos (por causa de regras que "incentivaram" a implementar), enquanto atiçam o algoritmo a virar os cidadãos uns contra os outros, à conta de supostas chulices de meia dúzia de trocos.

Se há quem saiba contornar as regras para usufruir de subsídios que não merece? Sim, claro que há. E não são só estrangeiros, ou jovens nem-nem.

Mas o estado social deve ser para todos. E eu quero a garantia de que, se perder o meu trabalho, ou me magoar, tenho direito a apoios estatais que permitam a minha sobrevivência, sem exceções ou letras miudinhas.

Acabar com a "mama" soa sempre bem quando não nos afeta pessoalmente; quando falamos de números ao invés de pessoas. Mas um dia essa pessoa posso ser eu.

Portanto, não, não me incomoda que hajam uns quantos à sombra de pouco mais do ordenado mínimo, enquanto dois ou três gazilionários brincam ao Monopólio com o dinheiro do mundo e ainda se riem do povo que lhes enche os bolsos de boa mente.

E, no entretanto, vou sonhado com a utopia de um rendimento básico universal...

01 de Dezembro, 2025

Resolver os problemas do mundo na minha hora de almoço

Inês R.

Seria muito mais fácil aceitar que sou apenas uma mulher, trabalhadora por conta de outrem, sem capacidade alguma de produzir mudanças significativas neste mundo em que vivemos e, assim, permitir-me desistir de fazer até aquilo que está ao meu alcance.

"Como se a minha separação de resíduos domésticos conseguisse competir com o tubo de escape do meu carro a gasolina ou com o teu cruzeiro pelo Mediterrâneo ou com os centros de dados deles."

Advogar pela manutenção do Serviço Nacional de Saúde, no meio de uma formação de primeiros socorros, para uma "plateia" de seis não mudará o sentido de voto de nenhum deles, mas talvez semeie a dúvida numa dessas cabeças; o suficiente para a fazer ver o tema com outros olhos.

Falar de saúde mental enquanto aqueço o almoço no micro-ondas do trabalho vale o que vale até que uma colega revela que, finalmente, decidiu marcar uma consulta de Psicologia.

Doar algum dinheiro, por pouco que seja, a causas que me sejam queridas, ao invés de me deixar assoberbar pela frustração de não conseguir ajudar todos quantos precisam, pode fazer a diferença na vida de alguém.

E não deixar passar nenhum comentário preconceituoso de um colega que não é racista, "mas," sem o fazer sentir vergonha de ter decidido abrir a boca na minha presença. Porque não é aceitável que este tipo de discurso volte a ser normalizado. Muito menos na minha hora de almoço.