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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

27 de Fevereiro, 2023

Uma Questão de Perspetiva

Inês R.

Na semana passada, estava há já uma hora no trabalho - depois de ter cumprimentado clientes em estrangeiro e gracejado com colegas sobre o tempo - quando uma estagiária se meteu comigo e, depois de duas ou três frases feitas, lá ganhou coragem para me dizer que tinha "qualquer coisa no casaco".

Pois que a coisa era merda de pássaro.

Um escorricho esbranquiçado, no meu casaco preto, que várias pessoas devem ter visto, mas todas preferiram fingir que não. Sim, porque não quero acreditar que houve má intenção; apenas um ligeiro embaraço e a certeza de que a próxima pessoa diria alguma coisa. 

Como é óbvio, tive de vir partilhar a anedota. Se esta foi a pior coisa que me aconteceu nos últimos tempos, sou uma mulher de sorte. Não diriam?

20 de Fevereiro, 2023

A Primeira Vez

Inês R.

Esta tarde, um cavalheiro ser-me-á apresentado e, antes mesmo de um segundo encontro ser combinado, pedir-me-á que levante as saias na sua presença.

Que é como quem diz: tenho uma consulta de ginecologia marcada e, pela primeira vez na minha história médica, o especialista é homem.

Todas as mulheres com quem falo cujos "doutores das partes intimas" são do sexo masculino me dizem que não notam a mais pequena diferença ou até que preferem, mas acredito que todas (tal como eu) sentiram uma certa apreensão antes da primeira visita.

No meu caso, admito que o sistema ande um bocadinho mais nervoso pelo fato de ter sido seguida pela mesma médica desde os meus tempos de adolescente - e não, não "arranjei nenhuma surpresa aos meus pais" como disse a médica que me fez a ecografia, era "só" um problema hormonal que me causou chatices suficientes ao longo dos anos.

A juntar a tudo isto, há sempre aquela vozinha que não quer calar; aquela que nos lembra que a consulta de rotina pode revelar problemas mais sérios, mas a verdade é que é sempre, sempre, melhor saber e, principalmente, saber a tempo.

E, já agora, fica também a lembrança de que a saúde feminina tem a sua parte DIY: A Tarada

13 de Fevereiro, 2023

Cartão de S. Valentim

Inês R.

Gostas de mim? Sim ou não?

Decidi deixar-me de rodeios e likes estratégicos e fazer como os miúdos do Ciclo nos anos 90. Portanto, considera este texto o meu cartão de cartolina vermelha em forma de coração que te vai ser entregue durante a aula de Inglês, entre assobios sugestivos e rosas de plástico.

Eu gosto de ti, mais do que como minha amiga, e quero muito que o sentimento seja mútuo, mas, se não for, estou preparada para esperar o tempo que for preciso até que vejas em mim a tua parceira para a vida.

Ninguém reconhece as tuas qualidades como eu; mais ninguém sabe o que se passa nessa tua cabeça, quando só precisas de uma noite bem dormida e quando a chama ameaça apagar-se.

Eu sou a tua "pessoa"; conheço-te por dentro e por fora e, ainda assim, gosto do que vejo.

E bem sei que estavam a vender beleza num frasco, mas as moças tinham razão: "Se eu não gostar de mim, quem gostará?" 

Então, o que dizes?

Com amor,

Eu/Tu

06 de Fevereiro, 2023

Antibióticos (Outra Vez)

Inês R.

Há dois anos, estava o Em Letras Pequeninas ainda a abrir os olhos, publiquei um texto intitulado Só Garganta sobre o uso incorreto dos antibióticos e, vejam só, parece que continuamos todos a precisar de um puxão de orelhas.

Percebo que esta é apenas mais uma publicação, num mar de outras muito mais interessantes, e que é pouco provável que chegue a muita gente, mas aqui fica o recado: os antibióticos devem ser prescritos por um médico e ser tomados a horas certas e até ao fim (ou até quando o senhor doutor disser). 

Há ainda muita malta pelo mundo que se recorda de como era a vida antes da descoberta da penicilina; quando se morria de doenças tratáveis, quase de um dia para o outro. E é esse o perigo que corremos: o de deixar de ter respostas terapêuticas para as ameaças infeciosas atuais, que se vão tornando resistentes devido a estas más práticas.

Agora, vá lá, vão até ao vosso armário/gaveta/saco dos medicamentos e separem todas as caixas de antibióticos por acabar para as deixar na farmácia.

Já bastam todas as doenças e males para os quais não temos solução; sobre este ainda podemos fazer alguma coisa.