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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

29 de Agosto, 2022

Sai Um Copo de Germes. Duplo.

Inês Reis

Tenho uma colega de trabalho que puxa o autoclismo antes e depois de usar a sanita.

A razão? Para evitar apanhar os germes da pessoa que utilizou a casa de banho antes dela.

E eu percebo a lógica por detrás daquele desperdício de água, mas lamento informá-la – e a todos os que me lêem – que, assim, apenas consegue duplicar a probabilidade de tal acontecer. A cada descarga são lançadas para o ar gotículas de água, contendo tudo desde germes a matéria fecal, que podem alcançar uma distância de 1,5 a 4 metros de altura. Fonte

Pelo que, ao fazê-lo de tampa aberta – sim, eu perguntei – acaba por levar com, não uma, mas duas, nuvens de bicheza de cada vez que utiliza a casinha no trabalho.

Eu passei a informação mas, tendo em conta que nunca encontro a tampa da sanita fechada, parece-me que a dita não foi recebida. O que é que se há-de fazer…

A vós, meus caros amigos, aconselho-vos ainda a fazer uso desta dica em vossas casas; a menos que escovar os dentes com restos de cocó nas cerdas seja algo que vos interesse.

25 de Agosto, 2022

Onde Estão Agora: Covid-19

Inês Reis

ENTREVISTADOR: Bem-vindo, SARS-CoV-2, como está?

COVID: Não me posso queixar. Mas só os meus pais me tratam por SARS-CoV-2. Sou Covid prós amigos.

ENTREVISTADOR: Muito bem, Covid, será, então.

COVID: Daqui a 14 dias, será mesmo. (riso maroto)

ENTREVISTADOR: Ah, bem apanhado. Já vi que tem tido bastante tempo livre para magicar umas graçolas. Será este um possível regresso à ribalta?

COVID: Nã, hoje em dia não se consegue fazer carreira na comédia. Cancelam comediantes por tudo e por nada e um gajo tem de arranjar um emprego que traga alguma estabilidade financeira, nestes tempos de incerteza.

ENTREVISTADOR: Incerteza essa que o Covid ajudou a causar.

COVID: Más línguas. Ouça, a pandemia trouxe montes de coisas positivas, mas a malta gosta de se focar nas coisas menos boas. Os níveis de poluição nunca estiveram tão baixos, não havia trânsito absolutamente nenhum e os introvertidos tinham a desculpa perfeita para evitar contato físico de qualquer tipo. Mas, não, são sempre os milhões de mortes que fazem manchete…

ENTREVISTADOR: Consegue, decerto, perceber porquê, não?

COVID: Claro. Não sou insensível ao sofrimento humano. Apesar de vocês andarem há mais de dois anos a tentar assassinar-me, eu sou um vírus muito empático e acabo por ser a minha maior vitima.

ENTREVISTADOR: Quer elaborar?

COVID: Até elaborava, mas fui aconselhado pelo meu advogado a não dizer nada que me possa incriminar judicialmente.

ENTREVISTADOR: Certo... Então, e planos para o futuro? Algum projeto na manga?

COVID: Não posso divulgar muita coisa, ainda, mas ando em negociações para uma nova tournée outono/inverno e, se deus quiser, ficarei depois em residência permanente com uns espetáculos por aqui e ali.

ENTREVISTADOR: Olha, que bom… para si. Só para terminar, quer deixar alguma mensagem aos seus fãs?

COVID: Que nunca deixem de ser quem são. Digam não às vacinas e às fake-news. E vemo-nos no Facebook!

ENTREVISTADOR: Então, obrigado e… boa sorte?

COVID: Ora essa. Obrigado sou eu!

22 de Agosto, 2022

Uma Cola Para Mim…

Inês Reis

…Um Sumol de Ananás para o meu PC.

Eu sabia que um dia ia acontecer e esse dia chegou; quem brinca com o fogo queima-se e quem equilibra copos de sumo no portátil que tem sobre as pernas enquanto vê Stranger Things na cama vai acabar por entornar o dito líquido pelo teclado adentro.

O bicho ficou três dias “de molho” em arroz e parece estar a funcionar bem, mas não será surpreendente se vier a revelar mais sintomas para além das teclas perras – o que é chato mas ao menos não significa uma visita de urgência ao Doutor Já-Desligou-E-Voltou-A-Ligar?.

Um familiar que “sabe de computadores” avisou-me que a humidade pode vir a “dar problemas,” mas isso será um obstáculo para a Inês do Futuro ultrapassar; a Inês do Presente vai aproveitar ao máximo o seu computador renascido das cinzas (enquanto grava tudo o que seja importante no disco).

E, certo, não é o fim do mundo, mas, como podem imaginar, toda a minha vida digital está naquele pedaço de hardware e não consegui deixar de pensar no pior enquanto esperava que o familiar círculo deixasse de rodar e me desse as boas vindas à minha segunda casa.

Agora, se isto me voltar a acontecer, têm a minha permissão para me dizer “bem feito”.

11 de Agosto, 2022

Jovem Procura Espreguiçadeira

Inês Reis

Jovem, em espírito, procura espreguiçadeira com experiência para aventura de Verão.

Garanto quatro dias e três noites de cama, comida e roupa lavada e a única exigência que faço é que seja confortável e fácil de abrir e fechar.

Sim, tenho completa noção de que pareço estar à procura de uma “espreguiçadeira” nos qualificados do Correio da Manhã, mas não há aqui segundas intenções de espécie nenhuma.

Eu apenas relevo o trauma que é uma ida à praia pelos minutos que passo a boiar na água. As restantes horas passadas a tentar tornar a areia ligeiramente menos desconfortável são tudo menos agradáveis e eu não sou fã de atividades das quais não retiro prazer. Chamem-me esquisita.

Daí o meu anúncio; as cadeiras de praia que fui comprando ao longo dos anos deixam-me sempre a ponderar a hipótese de levar um sofá da sala atrás de mim – sim, a coisa chega a esse ponto – e desta vez estou a considerar um upgrade para mobiliário de jardim.

Até ao dia em que possa ir de férias para um destino tropical, com aqueles bungalows que dão diretamente para uma praia privativa, vou tentando acertar na mobília de praia.

08 de Agosto, 2022

Vi, Gostei, Recomendo

Inês Reis

 “Tens visto bons filmes ou séries?,” pergunta uma colega de trabalho, enquanto aquece o seu Bacalhau à Brás no microondas da empresa. “No outro dia, vi um documentário muito interessante sobre o abuso de anfetaminas pelos jovens Americanos,” respondo eu, de taça com restos d’ontem na mão.

O que não é mentira – apesar desse “outro dia” ter acontecido há meses – mas, na verdade, o que tenho visto ultimamente são filmes direccionados a uma audiência (muito) mais nova que eu.

Há dias (desta feita, literalmente), vi um filme sobre adolescentes que explodem espontaneamente, ao qual, apesar da premissa macabra, achei muita graça e que era uma bela metáfora para a vida e, há uns tempos, vi (mais que uma vez, confesso) um filme sobre putos que formam uma banda de Heavy Metal que me fez ganhar um gosto renovado pelo género – ou não fosse o dito produzido executivamente pelo Tom Morello.

Não quero com isto dizer que não gosto de ver outros géneros – gosto, sim, e vejo muitos, desde que esteja na disposição certa – mas apenas que estes filmes mais leves me trazem conforto e boa disposição e que acho absolutamente ridícula a necessidade de esconder que o faço – mas escondo-o, ainda assim.

Li algures que mentes ansiosas preferem histórias familiares, sem surpresas, o que compreendo perfeitamente e se a isso associarmos a necessidade de escapar, por hora e meia, às duras realidades da vida, acho que qualquer filme, série, livro, podcast, que nos ajude a consegui-lo merece uma qualificação de cinco estrelas.

(Texto inspirado por uma conversa com uma amiga do mundo online. Grazie!)

04 de Agosto, 2022

Como Acabar Com o Racismo

Inês Reis

Ou não…

Em teoria, deveria ser suficiente (re)lembrar a malta de que os primeiros seres humanos surgiram no continente Africano e que, portanto, não existe ninguém à face deste nosso Esférico que não descenda daqueles indivíduos.

Na prática, o argumento de que “somos todos irmãos” raramente tem algum impacto fora de campanhas publicitárias de Natal de conhecidas marcas de refrigerantes.

01 de Agosto, 2022

O Bicho do Preconceito

Inês Reis

Dizer que a Varíola dos Macacos é uma doença de “gays” é como dizer que a Covid é uma doença de velhos.

Acontece que ambas têm maior probabilidade de contágio em determinadas condições mas, na verdade, qualquer pessoa pode apanhar qualquer um dos bichos.

Agora que este tipo de situações dá um jeitão aos preconceituosos, isso é inegável.

“Tás a ver? Eu não dizia que estes (inserir grupo discriminado à escolha) iam acabar mal?”

É o chamado viés de confirmação (confirmation bias) que acontece quando a malta procura informação que confirma uma opinião que já tem.

(exactamente o que aconteceu quando eu, profundamente desiludida com a versão da Netflix de Persuasão, fui para Internet procurar malta com a mesma opinião – com a diferença de que não apreciar um filme não traz absolutamente mal nenhum ao mundo)