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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

30 de Maio, 2022

Contas do meu Rosário

Inês R.

Não é uma competição. Mas, se fosse, eu estava na equipa que vai à frente no campeonato.

Enquanto muita malta está a cumprir o segundo isolamento ou a tentar fugir ao terceiro, eu estou aqui de máscara em riste e virgemzinha de todo.

E não que haja mal algum em ser “experiente,” mas acontece que ando, novamente, a ser alvo de comentários no trabalho - todos eles “na brincadeira,” claro - sobre o fato de ainda não me ter sentido confortável para deixar a máscara e decidi lidar com a situação da melhor maneira que sei: publicando um texto no meu blog na esperança que alguém se identifique com o problema e escreva meia dúzia de palavras encorajadoras e/ou jocosas nos comentários.

Como é óbvio – ou devia ser - comecei o texto de forma intencionalmente provocatória para, se tudo correr bem, fazer esboçar um sorriso a quem me lê; mas, mais uma vez, o objetivo é apenas reforçar a ideia de que a minha decisão de continuar a usar máscara em locais públicos e partilhados não afeta, absolutamente, ninguém a não ser a minha pessoa.

E, sim, eu sei que a malta tem opiniões, mas, a verdade, é que eu não perguntei nada.

26 de Maio, 2022

A Caixa de Costura

Inês R.

Ainda remendo meias e reforço botões – sem grande graça ou arte, mas faço-o.

E ontem enxertei um pedaço de um velho soutien noutro.

O transplantado jazia na gaveta das cuecas há meses por estar demasiado apertado e, como o peso que ganhei foi de boa vontade, não havia outra solução a não ser acrescentar aquele “bocadinho assim” que lhe faltava.

Como devem calcular, o resultado final não é, exatamente, digno de um expositor da Victoria’s Secret, mas está bastante bem disfarçado, para um soutien de 12 colchetes.

Agora é esperar que sobreviva à máquina de lavar roupa.

23 de Maio, 2022

Procura-se Cartão de Débito

Inês R.

“É amarelo, de baixa estatura e com um excelente metabolismo. Foi visto pela última vez a comprar pão fatiado para o almoço de domingo e, desde então, não deu sinais de vida.”

(o que, neste caso, até é bom)

Acontece que o dito foi dado como desaparecido às autoridades competentes, depois de largos minutos de pânico, apenas para ser, imediatamente, encontrado...

Ainda com a simpática senhora do outro lado da linha, descobri que o cancelamento não podia ser desfeito e que, agora, era preciso visitar uma agência para pedir nova emissão.

Mas podia ser pior; podíamos estar online a ver para onde tinha ido o nosso dinheiro - um pagamento contactless de cada vez - durante o bom bocado que levámos a ligar à linha de apoio.

E apesar do susto, ficou a confiança nos sistemas de segurança dos bancos Portugueses que atuam rapidamente em caso de perda ou roubo de cartões ou cheques – mesmo em plena hora de almoço num domingo qualquer.

22 de Maio, 2022

O Retrato - Desafio da Abelha

Inês R.

Prefiro não olhar. O tempo espreguiça-se com a moleza do mel a descer o frasco quando se sente observado. E eu não tenho mais batimentos por minuto para desperdiçar.

Mas se me deixo ficar, olho. Por isso, parto.

E naquele quarto de hora, envelheço toda a fase lunar que aguarda quem perde este cara-ou-coroa da vida.

Até que, finalmente, aparece a linha certa, a que me separa do anunciado castigo, e nada mais resta a não ser…

Guardar aquela memória feliz num retrato.

 

A 11ª imagem no meu telefone é uma fotografia de um teste negativo à Covid. Este foi o texto que ela inspirou.

52 semanas de 2022 | tema 20 - Ana de Deus

tema: algo inspirador na 11ª imagem no teu telemóvel

19 de Maio, 2022

Varíola-dos-Macacos, Muito Prazer

Inês R.

“Peço desculpa, Dona Varíola, se soubesse que vinha tinha arranjado a casa. Sabe, tive uma visita que veio por umas semanas e acabou por ficar mais de dois anos, e ainda eu não tinha a cama feita de lavado e já ela prometia regressar…”

A sério que eu não quero ser pessimista, mas, infelizmente, lembro-me muito bem quando a última novidade em bicheza microscópica que “nunca na vida” dava em pandemia, se transformou, efetivamente, numa pandemia e, por isso mesmo, ando a seguir as recentes notícias como quem abre as mensagens diretas no Twitter: sempre com fé de encontrar informação útil por entre as fotografias explícitas.

Mas, na verdade, espero, sinceramente, que este seja o meu primeiro e último texto sobre o assunto e que daqui as umas semanas sejamos todos o meme da Mariah Carey: “Varíola-dos-Macacos? I don’t know her.”

16 de Maio, 2022

“Terapias” de Conversão

Inês R.

Não, não estou a falar de um qualquer teorema matemático para converter gramas em graus Fahrenheit. Antes estivesse…

Há dias, a Grécia transformou-se no último de, honestamente, muito poucos países a criminalizar as práticas de reorientação sexual em menores e parabéns para eles! (Fonte 1)

Já o resto do mundo está a ver-se grego para lá chegar.

Incluindo o nosso pequeno cantinho da Europa onde, apesar de várias vitórias no que aos direitos LGBTI+ concerne, ainda não conseguiu criminalizar estas “terapias”. (Fonte 2)

E, infelizmente para todos nós, ainda há uma porção significativa de países onde a homossexualidade é ilegal e, em alguns, é mesmo punida com pena de morte. Como se eu não fosse já suficientemente contra a pena capital…

Mas, contas feitas, este é apenas mais um dos inúmeros problemas Terráqueos que me tiram anos de vida; das alterações climáticas ao racismo, venha o diabo e escolha. Então, porque espumo da boca enquanto escrevo estas linhas? Porque este é mais um daqueles não-problemas que nasceu na cabeça de alguns e conseguiu afetar a vida de muitos.

Ah, e se até aqui não o disse é apenas porque espero não ser necessário, mas, ainda assim, aqui vai: a orientação sexual não-heterossexual não é uma doença e, como tal, não precisa de ser curada.

12 de Maio, 2022

Compras, Cabeleireiro e Um Aborto

Inês R.

Não, nenhuma mulher decide ir fazer um aborto só porque tem um buraquinho entre a ida ao supermercado e a marcação das unhas.

Será para a maioria destas mulheres, senão para todas, a decisão mais difícil que terão de tomar na sua vida e uma que nunca vão querer repetir.

Mas negar o acesso à interrupção voluntária da gravidez não resolve o problema, muito pelo contrário, uma vez que descrimina desproporcionalmente mulheres que já se encontram em situações mais desfavorecidas.

E na verdade, em Portugal, desde que se despenalizou o aborto, todos os anos (com a previsível exceção dos primeiros) são realizadas menos intervenções destas que no ano anterior. (Fonte 1, Fonte 2)

Consequência do aconselhamento feito pelo pessoal médico da especialidade e do bom trabalho feito nos nossos serviços de saúde, de onde muitas mulheres saem com uma palavra amiga e uma prescrição para um contraceptivo oral.

Mas, ao que parece, do outro lado do grande lago a que chamamos Atlântico, surgiram rumores (demasiado legítimos para descartar) de que os juízes do Supremo Tribunal estão “a isto” de revogar a lei (Roe v Wade) que desde os anos 70 garante o acesso ao aborto para todas as mulheres Americanas e eu, enquanto mulher (apesar de Portuguesa), não posso deixar de sentir por todas elas. (Fonte 3)

Infelizmente, e apesar da lei federal, existem leis extremamente restritivas em muitos dos estados Americanos que já tornam quase impossível fazer um aborto. Desde estados várias vezes maiores que Portugal onde só existem uma ou duas clínicas a realizar o procedimento, a leis que impedem a intervenção depois das 6 semanas (quando algumas mulheres ainda nem sabem que estão grávidas); são as mulheres pobres e pertencentes a minorias que acabam sempre por ser as mais prejudicadas.

E pior, são as mesmas pessoas que se opõem ao procedimento que depois negam apoios a estas mulheres porque “se não os conseguem criar, não deviam ter tido filhos”.

09 de Maio, 2022

PFAS + Raça Humana 4Ever

Inês R.

A água potável – quando a ela temos acesso – esconde todo o tipo de perigos; o ar é irrespirável, especificamente nas zonas do globo onde habitam humanos; e a comida, se não é de plástico, é insustentável.

E agora nem posso apreciar os meus douradinhos de espinafres sem temer que o Teflon da frigideira anti-aderente me mate. (É bem feito, que devias fazê-los no forno!)

Estes PFAS’s (produtos químicos sintéticos presentes em quase tudo, incluindo 99% dos seres humanos), e que têm o Teflon como a sua celebridade mais conhecida, tornaram as nossas vidas muito mais fáceis, certo, mas também um cadito mais curtas.

A lista de potenciais problemas de saúde é liderada, por razões óbvias, pelos vários tipos de cancro que tiraram a vida a muitos dos trabalhadores e vizinhos da fábrica produtora do Teflon, que o inalaram e beberam durante décadas, mas há de tudo, desde problemas congénitos a distúrbios nervosos1.

E, certo, as consequências mais graves surgiram após exposição direta a elevadas concentrações do bicho durante longos períodos de tempo, mas não respirem já de alívio – ou respirem sequer… – porque estas substâncias têm a particularidade de ser tão difíceis de degradar que ganharam a fofa alcunha de “químicos eternos”.

Aos corajosos, aconselho o filme Dark Waters – Verdade Envenenada, disponível na RTP Play, AQUI, aos outros, sei lá, uma maratona de vídeos de gatos no Youtube pra limpar o palato.

1. Químicos Tóxicos ‘Eternos’ na Água Canalizada

05 de Maio, 2022

Chamar o Tinonim

Inês R.

Estava a ver uma série Espanhola na Netflix onde foi preciso chamar a guardia civil e, então, não é que um dos personagens vai e marca o 112! Ali mesmo à minha frente! E digo eu, para mim mesma, “olha, que engraçado, os nuestros hermanos usam o mesmo número que nós”.

Só que afinal, fui averiguar e, disse-me o senhor Google, que o 112 é o número de emergência europeu – informação que me parece que eu já devia saber, mas não sabia.

E agora vossemecês sabem também.

Portanto, sempre que vos fanarem a carteira ou afanarem uma perna - dentro da União Europeia, digo – é só ligar, gratuitamente, o número 112 e esperar que a conversa corra suficientemente bem no vosso melhor “Ingrês”.

Algumas dicas sobre o que dizer quando ligamos para o 112 – AQUI.

(E lembrem-se, em caso de acidente, o número de pessoas envolvidas é uma informação extremamente importante a partilhar porque cada ambulância apenas pode levar um paciente.)

01 de Maio, 2022

Às Mulheres Mães

Inês R.

Inspirado em histórias que ouvi toda a minha vida.

O marido da minha mãe era um bêbedo que batia nos filhos dela. Esta história não é sobre ele, mas sobre a mulher que criou seis filhos com uma sardinha; que me ensinou a dizer “por favor” e “obrigado” com sinceridade; que engraxava com orgulho as botas do meu irmão mais velho antes de mas dar; que gritou comigo por ser o sexto dos seus filhos a deixar a escola; a mulher que ficava de coração partido sempre que nos mandava para a cama mais cedo porque não tinha o que nos dar de jantar. Esta história é sobre a minha heroína: a minha mãe.