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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

22 de Setembro, 2021

Vou Ali e Já Venho

Inês Reis

Olá, aos, poucos mas bons, que me leem!

Nos próximos dois meses vou andar um bocadinho desaparecida aqui do blog - é por uma boa razão, acreditem - por isso, não vou conseguir manter as duas publicações por semana que tenho vindo a cumprir desde o inicio do ano. 

Que tragédia, eu sei! ;-)

Mas, ainda assim, não vos queria deixar sem mais uma das minhas "pérolas" da sabedoria. Esta é reciclada, mas é de boamente. 

 

"A good writer will always have the browsing history of a hypochondriac serial killer with excellent spelling."

 

17 de Setembro, 2021

A Gaja Morre No Fim

Inês Reis

Foi o contabilista “muito bom rapaz,” com a faca de sobremesa e o ácido sulfúrico, na casa de banho (e um bocadinho nas escadas p’rá cave).

São, geralmente, qualquer coisa como isto, os perfis dos assassinos em série que protagonizam os inúmeros documentários de true crime que povoam os meus serões. Mas eu papo todos os que me aparecem pela frente. Salvo seja.

Não é novidade nenhuma que muitas mulheres apreciam este tipo de programas, já o porquê da coisa será menos claro.

Há quem aponte para a nossa necessidade de testemunhar a resolução da história; que, ao menos naquele universo, vimos fazer-se justiça (ou que, pelo menos, se fez das tripas coração para o conseguir).

Outros teorizam que funcionam quase como “materiais didáticos;” que assistimos a estes documentários ou filmes com a intenção – mesmo que não de forma consciente – de aprender como evitar tornarmo-nos vítimas de situações semelhantes.

E eu reconheço mérito em ambos os argumentos.

Só não consigo entender é a existência de groupies de serial killers “famosos,” não vou mentir…

13 de Setembro, 2021

As Outras Letras Pequeninas

Inês Reis

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Nem todas as letras pequeninas são bem-intencionadas; algumas nascem já com o único propósito de aldrabar os seus insuspeitos leitores.

Foi por isso que, desde o passado dia 25 de agosto, aqueles sete parágrafos do contrato de telecomunicações, em letra tamanho 6 e sem espaçamento entre linhas, que leste na diagonal e que te andam a lixar a vida há meio ano, passaram a ser proibidos.

Tudo quanto é contrato de bancos ou fornecedores de telecomunicações, água, eletricidade, etc., deixa de poder utilizar as chamadas letras pequenas – leia-se com tamanho de letra inferior a 11 ou com menos de 2,5 milímetros.

A intenção é evitar que a malta contrate coelho por um bom serviço. E quem nunca assinou na linha pontilhada depois de pensar “olha, que se lixe, não deve querer dizer nada de especial” que atire a primeira esferográfica.

Se é suficiente para garantir que vais ler todas as páginas do próximo pacote de televisão-internet-e-chamadas que vais contratar? Não. Mas, pelo menos, vai tornar a vida de todos os aldrabões profissionais um bocadinho mais difícil.

Artigo pplware, AQUI

Imagem: By https://howtostartablogonline.net/legal/, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=55666535

06 de Setembro, 2021

Memórias do Desemprego

Inês Reis

A simpática voz no meu telefone diz-me que cheguei ao meu destino e eu celebro por ter chegado lá meia hora antes da hora da entrevista, apesar do calor insuportável de meados de agosto.

Enquanto tento descolar das costas a minha camisa chique das entrevistas, percebo que não consigo ver o nome da empresa em questão em nenhum dos prédios à minha volta. Boa…

Decido procurar mais um pouco antes de ligar para eles, mas depressa me apercebo que estou no sítio errado.

A indiferença com que a rececionista, do outro lado da linha, me diz que há dois anos que eles andam a tentar alterar o endereço no Google Maps deixa-me um bocadinho irritada, mas, naquela altura, eu estava mais preocupada em memorizar as novas direções que ela enumerava, como se eu conhecesse o tal "grande prédio azul" onde cortar à esquerda.

Tendo já aceitado a realidade de que iria chegar atrasada à entrevista, fico cada vez mais ansiosa ao perceber que estou total e absolutamente perdida.

É, então, que ligo novamente para confirmar a morada e me é dito para usar o link do site e eu pergunto-me por que raio ela não pensou em partilhar essa informação antes, mas, ainda assim, sigo o seu conselho.

Só que o maldito GPS insiste em mandar-me para uma estrada de terra. Consigo evitá-la nas primeiras passagens, mas, com o aproximar da hora da entrevista, tomo a decisão executiva de confiar na tecnologia.

Apercebo-me que o carro está atolado um bom meio segundo antes de ouvir o barulho familiar de pneus a derrapar na areia, e entro em pânico, na medida apropriada.

Antes de desligar o carro, ainda consigo enterrá-lo mais alguns centímetros, numa tentativa inútil de sair dali. Mas, é então, que me lembro que passei várias vezes por uma oficina de mecânica nas minhas muitas voltas no carrossel, e saio disparada a correr em busca de ajuda.

"Vi logo que ias ficar atolada assim que te vi passar", foi a primeira coisa que o simpático cavalheiro me disse, assim que cheguei à oficina. Decidi não responder, visto que o homem já estava a entrar na sua camioneta para tirar o meu carro da sarjeta.

Entre os gritos para carregar no acelerador "com jeito” e o telefonema para a empresa a explicar o motivo do meu monumental atraso, lá conseguimos desenterrar o carro, são e salvo. Já a minha roupa e sapatos, nem por isso.

Eu chego, finalmente, à entrevista e uma outra senhora, muito compreensivamente, encaminha-me para a casa-de-banho. Passo a cara por água e sento-me na sala de espera, mas, por mais que tente, não consigo perder o tom corado-rubi que se me apoderou do rosto.

A entrevista em si é suficientemente normal, considerando as duas horas de aventura que eu tinha acabado de ter, mas eu já estava desempregada há tempo suficiente para saber que não ia haver segunda volta.

Quando chego a casa, a exaustão, finalmente, toma conta do meu corpo e só tenho disposição para um banho, antes de me estender na cama a ver um filme, na tentativa vã de salvar o resto do dia. E é então que recebo um novo email.

Uma resposta a um pedido de emprego público, da qual me tinha esquecido completamente, a explicar que não me qualificava para o cargo "conforme o disposto no ponto 1 do artigo 3", e não consegui evitar uma gargalhada.

Se a minha vida fosse um guião, tinha encontrado o meu final.

02 de Setembro, 2021

O Meu Nome é Inês e Sou Abstinente

Inês Reis

Eu não bebo álcool. Nunca, em situação nenhuma. E, se um dia me casar, vou brindar com uma taça cheiinha de um sumo qualquer.

Mas atenção que eu não ando de blog em blog a pregar a abstinência, qual testemunha de AA. Até porque já se fez o test drive à lei seca e a amiga chumbou ainda mais vergonhosamente que eu no meu primeiro exame de condução.

Peço, apenas, que respeitem a minha decisão.

É isto; não preciso de palmadinhas nas costas nem de elogios rasgados. Um “queres antes uma Cola?” ou “também há água” caem sempre muito melhor que os habituais “vá lá, só uma cervejinha” ou “não sejas cortes,” que vêm sempre à baila nestas situações.

(o meu comentário preferido é o “não brindes com água, que não vale!”)

Sou uma rapariga ansiosa com casos de alcoolismo em ambos os lados da família, e prefiro não arriscar. Porque, na verdade, nunca ninguém sabe se se vai tornar dependente de uma substância potencialmente aditiva à primeira utilização; há uma multitude de fatores que entram em jogo (estado mental, emocional, físico, etc.) e eu fiz a minha escolha informada.

Posso apenas partilhá-la e esperar que quem me lê faça as suas, também.