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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

29 de Julho, 2021

Videntes e Afins

Inês R.

Estou a sentir uma vibração muito forte a surgir da letra “T”.

Agora vocês só têm de a associar a algo ou alguém da vossa vida e eu passo a vidente extremamente talentosa. (e, não, não é “T” de “Treta”)

Eu compreendo, perfeitamente, a necessidade de acreditar em “algo” maior que nós – e aceito, até, que traga benefícios mentais – mas não suporto que haja malta a fazer dinheiro com as fragilidades dos outros.

É suficientemente triste saber que há poupanças inteiras desperdiçadas em curas de “maus olhados,” mas que alguém seriamente doente seja convencido a fazer “tratamentos” alternativos ao invés de seguir os conselhos dos profissionais da medicina tradicional é, simplesmente, criminoso.

É por tudo isto que não compreendo que hajam “videntes” em tantos dos nossos canais nacionais, mas, especialmente, nos de sinal aberto.

Seria de julgar que fraude em horário nobre fosse uma prática desaconselhada pelas entidades reguladoras.

26 de Julho, 2021

A Outra PCR

Inês R.

Curiosamente, mesmo em tempos de Covid, a malta continua a morrer de paragem cardiorrespiratória (PCR). Quem diria!

E, para quem não sabe, há duas ou três coisas que podemos fazer para além de contar os minutos que a ambulância demora a chegar, em modo de pânico absoluto.

Na semana passada tive formação de primeiros socorros no trabalho, para reforçar aquilo que já tinha aprendido há uns anos atrás, e, sim, as bases estavam lá, mas não sei até que ponto, numa situação real de emergência, iria conseguir recordar-me do que fazer, quando, e durante quanto tempo.

(Diz que na farmácia não há muita malta a entrar em paragem cardiorrespiratória, enquanto espera na fila pelos medicamentos da “atenção”)

Mas, como nos disse o formador, comandante dos bombeiros locais, “estas coisas não acontecem só aos outros” e um dia vão, certamente, bater-nos à porta sem ser convidadas - mal educadas! – por isso mais vale estarmos preparados.

Cursos de Socorrismo da Cruz Vermelha – AQUI

SNS 24 - Paragem Cardiorrespiratória – informação útil AQUI

22 de Julho, 2021

Fffssst, Pum!

Inês R.

Milhões gastos para que dois ou três homens possam “lançar o foguetão” durante uns minutos? Nada de novo.

Enquanto o mundo acorda todos os dias para uma nova prova do quão reais as alterações climáticas são, o “1%” arranjou maneira de libertar mais Dióxido de Carbono na atmosfera com viagens ainda mais desnecessárias do que o vigésimo cruzeiro da tia Rita pelo Mediterrâneo.

How the billionaire space race could be one giant leap for pollution – The Guardian

19 de Julho, 2021

Patrocinado

Inês R.

Acabou de ter um filho? Está grávida? Está a planear ter uma criança? Está a comprar um teste de gravidez? Está numa relação? Teve um primeiro encontro promissor? Está de olho num colega de trabalho ou vizinho? Tem mais de dezoito anos? É uma adolescente de dezasseis anos bastante precoce? Tem doze anos e começou agora a reparar em rapazes?

Se respondeu que sim a alguma destas questões, então, esta é a altura certa para começar à procura da creche perfeita para a sua criança. Não espere mais, visite as nossas instalações e fique a saber como pode colocar o seu filho, ainda que inexistente, na nossa lista de espera para, talvez, ser considerado elegível para frequentar a nossa mui 'exclusiva escola.

Para mais informações visite o nosso site: www.vaisonhando.querias

15 de Julho, 2021

Vai Gozar Com Outro!

Inês R.

- Nunca!

- ‘Tou-te a dizer. Em todas as casas.

- Água corrente!? Tipo, potável?

- Ya. E os gajos gastavam-na como se fosse 2999. A malta costumava ter uma cena por lavar os carros. Havia bué filmes. A maioria deles sem falas…

 - Tão estranho. Mas, então, eram todos milionários? P’ra terem um buraco de água em casa…

- Cá nada! A água é que era muita barata. E podias ter mais que um buraco em casa.

- Mentira!

- Verdade! Mas depois havia malta a morrer à fome e à sede noutras partes do mundo…

- Desculpa? Mas eles não eram seres inteligentes? Não tinham já inventado aqueles telefones móveis muito giros que se partiam como unhas?

 - Pois, mas serviam, basicamente, só p’ra tirar auto-retratos e arranjar parceiros sexuais.

- Que desperdício.

- Mesmo. Vê-se bem que ainda não havia sex-bots à venda.

12 de Julho, 2021

O Que Nunca Deve Fazer Ao Cortar As Unhas

Inês R.

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O José era um homem de família cheio de vida. Avido praticante de desporto desde a sua adolescência, quem lhe tirava o futsal às quartas e a bicicleta aos domingos, tirava-lhe tudo.

Mas o seu sonho de, um dia, vencer o campeonato amador da sua Junta de Freguesia morreu no preciso momento em que, distraído, levou o corta-unhas demasiado ao canto de uma das ditas.

Agora, não há sapatos que lhe fiquem confortáveis e o seu dedo grande do pé direito está sempre um bocadinho mais inchado e sensível que o outro.

O apoio de familiares e amigos, apesar de reconfortante, nunca será suficiente para fazer renascer das cinzas o José que todos conheciam, e, agora, só lhes restam as memórias dos dias pré-corta-unhas-gate.

Por isso, lembre-se, não seja como o José, corte as suas unhas a direito e evite que fiquem encravadas.

Partilhe esta história e salve vidas.

Imagem: By Matthew Bellemare - Imported from 500px (archived version) by the Archive Team. (detail page), CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=73810694

07 de Julho, 2021

Felicidade Extra

Inês R.

“Era uma caixa de Felicidade, se faz favor. Das maiores que tiver.”

Se o dinheiro, efetivamente, comprasse felicidade, era ver a malta em romaria à farmácia para adquirir a sua dose mensal. E, se tivesse que apostar, diria que era vendida em solução, para ser mais facilmente absorvida. Também disponível com sabor a laranja.

Imagino que fosse recomendada a toma de um frasquinho duas a três vezes por dia, ou conforme necessário, e que, rapidamente, ouviríamos falar de casos de dependência e do consequente surgimento de um mercado negro. A procura gera sempre oferta.

Depois de alguns casos mediáticos – envolvendo celebridades, das verdadeiras e das outras – a Felicidade passava de substância controlada a completamente ilegal e, em pouco tempo, destronaria, sua alteza real, a canábis, como a mais consumida do mundo.

Será, por isso, talvez, melhor continuarmos a passar a vida toda em busca da versão menos palpável.

05 de Julho, 2021

Imaginem Um Cientista

Inês R.

Muito provavelmente a imagem que surgiu nas vossas mentes foi a de um homem de meia-idade, com óculos de massa, e envergando uma bata branca talvez manchada com químicos e molho para batatas.

Raramente o cientista imaginado é uma mulher, e este preconceito é, infelizmente, prevalente em toda a população, incluindo esta que vos escreve; mesmo que não nos apercebamos dele.

No documentário “Picture a Scientist” é abordada esta e muitas outras questões que afetam as mulheres que trabalham na área das ciências, sendo o assédio moral e sexual por parte de colegas e superiores um problema que prevalece até aos dias de hoje.

Portanto, pelo bem da ciência, e por todas as meninas que querem ser médicas, biólogas, químicas, ou aquilo que bem quiserem, quando forem grandes, aqui fica a sugestão deste documentário, disponível, neste momento, na Netflix.

Página do projeto: https://www.pictureascientist.com/

01 de Julho, 2021

Placebo, o Efeito Não a Banda

Inês R.

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Considera-se um placebo qualquer substância ou procedimento inerte que provoque algum tipo de efeito, positivo ou negativo, nos indivíduos a quem é administrado.

A esta altura do campeonato, já muitos de nós levámos, pelo menos, uma dose da vacina contra a COVID ou conhecemos alguém que tenha levado; sendo já todos muito bem versados nos possíveis efeitos secundários.

Que atire a primeira pedra quem não sentiu uma dorzita de cabeça fantasma ou uns arrepios de frio pseudo-febris, momentos depois da pica.

E é certo que estes falsos sintomas são só “coisas da nossa cabeça,” mas, para quem os experimenta, parecem bem reais.

No entanto, é por esta mesma razão que alguma malta diz sentir um alívio da sua dor de cabeça depois de tomar uma cápsula de água com açúcar (que pensa ser um remédio, claro).

A verdade é que a nossa crença na validade de um tratamento ou medicamento é meio caminho andado para que o mesmo resulte. E se há situações em que o placebo tem uma função bem definida e necessária, como nos estudos duplamente cegos de novos fármacos, outras há em que os pacientes são levados a tomar coelho por medicamento.

É exatamente por isto que ninguém nunca me conseguirá convencer que sucessivas diluições de uma solução aquosa façam potenciar o efeito terapêutico de uma qualquer substância ativa. Desculpa lá qualquer coisinha, homeopatia.

Imagem: By Rego Korosi - candies, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=34912057