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Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

Em Letras Pequeninas

Podem tirar a rapariga da farmácia, mas não podem tirar a farmácia da rapariga. Salvo seja…

31 de Maio, 2021

O Sacrifício

Inês R.

A chuva miudinha não dava sinais de querer parar e parecia desafiar a gravidade com a elegância de um vilão de cinema. O palmo de beirado, nada mais que uma provocação para quem ansiava por um telhado debaixo do qual se abrigar.

De casaco ensopado e alma destruída, lá tentava manter o cigarro aceso por mais uma passa ou duas, ainda que estas lhe soubessem, essencialmente, a embaraço.

 

Se a vergonha não é motivo suficiente para um fumador deixar o tabaco, pode-se sempre tentar dissuadir alguém de começar com uma história ou duas destas.

 

Quer Deixar de Fumar? - Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo – Link AQUI

27 de Maio, 2021

Humor de Casa-de-Banho

Inês R.

Uma Inglesa, uma Brasileira, e uma Indiana entram num esgoto em Portugal e a malta da ETAR faz-lhes logo a folha.

Parece que, desde o ano passado, se andam a testar as águas residuais de algumas estações de tratamento Portuguesas – com a intenção de alargar o projeto a todo o país – de forma a seguir a evolução da pandemia e a identificar que variantes do vírus da Covid estão a afetar uma determinada região, antes mesmo dos casos começarem a ser detetados.

O glamour da coisa ficará algures entre o puxar do autoclismo e os tubos de ensaio cheios de água acastanhada, mas como a minha versão adolescente – super-fã de MacGyver – diria: é  “muita fixe”.

Podem ler o artigo do Sapo24, AQUI

24 de Maio, 2021

Era Uma Vez Na Farmácia

Inês R.

Não bastavam já os xaropes para a tosse que tornaram obsoleta a questão do “é seca ou com expetoração,” agora parece que os dois analgésicos mais populares da escola decidiram juntar os trapinhos, depois de anos a odiarem-se, e até têm um nome de casal mais fofo que Brangelina. #enemiestolovers

Falo, é claro, do ibuprofeno e do paracetamol.

Juro que perdi a conta às vezes que disse ao balcão da farmácia que estes dois “nunca com menos de quatro horas de intervalo” e, agora, é vê-los a partilhar o mesmo blister. Ah, as maravilhas da medicina moderna.

Na verdade, parece-me uma boa ideia, e eu, que sou propensa a dores de cabeça chatas – daquelas que chegam a dar gómitos – já tenho encontro marcado com uma caixa destas p’ra daqui a um mês, mais coisa menos coisa. #problemasdegaja

Depois logo vos digo se correu bem e se haverá segundo date.

20 de Maio, 2021

A Pairar Desde 1993

Inês R.

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O ano de 1993 trouxe-me muitas coisas boas: as primeiras férias em família, uma estação de televisão interirinha, para juntar às outras três, e a música dos Ace of Base.

Mas, infelizmente, o meu ingresso no segundo ciclo do ensino básico coincidiu, também, com o início do meu calvário a pairar sobre sanitas de casas-de-banho públicas por esse Portugal a fora.

Na altura, foi por pura necessidade; as sanitas da minha escola não tinham assento (talvez porque a direção já se tinha fartado de os substituir) e, para além de estarem quase sempre apenas quase limpas, havia o problema do meu rabiosque de nove anos não ser suficientemente grande para evitar que fosse engolida pelo sifão.

De escola pública em escola pública, lá fui aperfeiçoando a arte de pairar sobre sanitas – com um ou outro incidente pelo caminho – e faço-o até aos dias de hoje.

Há quem diga que, na verdade, estas casas-de-banho acabam por estar mais limpas que as nossas lá de casa, pelo número de vezes que são desinfetadas por dia, mas, talvez pela minha ansiedade, em geral, (e pela minha POC, em particular) não consigo evitar fazê-lo.

A alternativa (pelo menos, na minha cabeça) seria fazer uma “cama” de papel higiénico antes de me sentar, mas também não me sinto bem a desperdiçar tanto papel.

Em conclusão, parece-me que vou continuar a pairar por aí, por muitos anos, ainda.

Quem mais se confessa pertencer à irmandade?

Imagem: Picture of squatter superimposed on Roman public toilets - By Jonathan108 - Own work, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5175015

17 de Maio, 2021

Alta Tensão

Inês R.

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A tensão do momento deixou-me a memória compreensivelmente turva, mas se há uma certeza que trago comigo, estes anos todos depois, é a de ter visto uma sistólica de 260.

A segunda medição comprovou que o aparelho não tinha defeito e a terceira foi já feita nas urgências, mas todas agoiravam um desfecho pouco feliz.

Depois de semanas à espera de o ver regressar, decidi que a minha não era a sua farmácia de eleição; a alternativa era demasiado pesada para os meus ombros de novata.

Só espero ter tido discernimento o suficiente, na altura, para evitar alarmar ainda mais o utente com uns olhos arregalados ou palavras menos contidas. Essa lição fui aprendendo com os anos e custa-me sempre pensar nas pessoas que encontrei antes disso.

 

Meça a sua tensão arterial, mantenha-se saudável.

Instagram da Sociedade Portuguesa de Hipertensão

 

Imagem: By rawpixel.com - http://allfreephotos.net/, CC0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=79966238

13 de Maio, 2021

SPF Sempre!

Inês R.

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Não vou ensinar ninguém a escolher o melhor protetor solar para cada tipo de pele até porque o melhor é sempre o de fator mais elevado mas vou gritar um bocadinho sobre a necessidade de se utilizar TODOS OS DIAS. (Pode ser que grite tão alto que eu própria aprenda)

Sempre que apanhamos sol, quer seja num dia triste e nublado de Novembro ou num dia de derreter alcatrão em Julho, devemos sempre proteger as zonas expostas da pele com o protetor adequado.

E se a luz solar é necessária para, entre outras coisas, ajudar à produção da Vitamina D - que é essencial para a saúde dos nossos ossos – traz, também, consigo a infame radiação UV, ou ultravioleta, responsável por tudo desde o belo do bronzeado, passando pelo escaldão, e até aos vários tipos de cancro de pele.

Queimaduras solares frequentes aumentam a probabilidade de acontecerem mutações nas células atingidas, o que pode levar ao aparecimento de cancro. (Lembro-me, como se fosse ontem, da aula de Oncobiologia onde se falou disto …)

E, enfim, se eu tiver feito o meu trabalho como deve ser, estão neste momento a levantar-se para ir snifar o protetor que compraram no ano passado p’ra ver se ainda serve.

Já agora, a resposta, muito provavelmente, é não. Regra geral, aguentam-se bem um ano após a abertura mas pouco mais que isso.

Agora, ide e besuntai-vos. Eu vou ver se faço o mesmo.

Mais informações sobre cancro de pele, AQUI

Imagem: By FDA graphic by Michael J. Ermarth - Use Sunscreen Spray? Avoid Open Flame, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=33627595

10 de Maio, 2021

Esquisitices

Inês R.

A tua comida não se pode tocar no prato, a minha precisa de ser mastigada um certo número de vezes em cada lado da boca e algumas pessoas comem doces aos pares.

Na escala do “normal,” alguns de nós estão um bocadinho mais nas franjas que outros, mas quem é que quer ser, simplesmente, comum?

Dizem que de louco todos temos um pouco, quer o queiramos admitir ou não. Admitir. Ou não. Admitir ou não. Admitir. Ou não.

Na verdade, somos como neve suja ao microscópio. Uma revelação de complexidade por detrás do que aparece a olho nu, e cada floco é único e maravilhoso; só não serão todos feitos da mesma água.

06 de Maio, 2021

Dia Mundial da Higiene das Mãos (foi ontem, oops)

Inês R.

De dedo no ar, quem é que ainda canta o Parabéns a Você, duas vezes consecutivas, enquanto lava as mãos?

A canção escolhida não interessa muito – desde que não seja cantada em voz alta – mas os vinte segundos a ensaboar as mãos são fundamentais.

E, não, este não é mais um texto a explicar a ciência da coisa – já bastam os milhentos vídeos, artigos, reportagens e memes disponíveis online – mas antes a lembrar que a lavagem das mãos é essencial para evitar a propagação de um variadíssimo leque de doenças; algumas das quais perfeitamente tratáveis, mas que, ainda assim, resultam em elevadas taxas de mortalidade infantil, em certos países.

E, já agora, fica uma dica para quando usamos uma casa-de-banho pública: após lavar as mãos, experimentem sacudir as mãos umas quantas vezes – sem “benzer” as pessoas nos lavatórios vizinhos – e utilizar apenas uma toalha de papel para secar as mãos. Verão que é mais do que suficiente e o ambiente agradece.

Este truque aprendi-o AQUI.

03 de Maio, 2021

Não, obrigada

Inês R.

A maternidade é maravilhosa; para quem a deseja. Já eu não quero ter filhos e não acho que isso me torne menos mulher.

Também sei que não sou a única - que até somos um grupo numeroso – mas que o estigma ainda é demasiado pesado para o admitir-mos em público.

As razões serão muitas e variadas e só a nós importam, mas o sentimento de culpa é sempre o mesmo; será que é, de facto, egoísta não ter filhos? Não tanto como tê-los quando não se está preparado para tal, diria eu.

E apesar de se me partir o coração por todos aqueles que passam anos a perseguir o sonho da parentalidade, a verdade é que nem todos o partilhamos, e a pressão social para seguir o mesmo padrão de namoro-casamento-filhos, muitas vezes, apenas aumenta a probabilidade de infelicidade-separação-divórcio.

No fim de contas, que sejamos felizes; cada um à sua maneira.